Contra-filé ao molho gorgonzola com arroz de limão ou Matando a fome e a saudade.

Almoço de um domingo saudoso.

Neste dia, um domingo de tempo estreito, mas muito agradável, lembrei do contra-filé, que já está em nossa memória emocional-palativa e do qual ficamos fãs incondicionais após a viagem à Argentina, mas que antes não me intrigava nem um pouco.

Os argentinos comem muita proteína, e, se não for algo muito bem preparado e temperado, eu não consigo comer tanto pois adoro carboidratos e a proporção deles (ou de saladas, por exemplo) com a proteína pra mim deve ser equilibrada.

Eu havia comprado duas peças da carne no supermercado um dia antes e deixei na geladeira, sabendo que iria utilizá-lo no dia seguinte. Quando tirei a carne, estava com um cheiro rançoso e aspecto estranho. Duvidei do bem estar da tal Suplicante, chamando logo o Marido para testar a eficiência olfativa. Como éramos marinheiros de nenhuma viagem ainda, liguei pra mamãe imediatamente:

– Mãe, acho que a carne que comprei não está boa…
– Por que, minha filha, o que está errado?
– O cheiro e…. acho que a cor. Esta um pouco esverd….
– Verde? Jogue isso fora agora! Essa carne está estragada!

De repente me veio à cabeça a imagem de outro dia de compras um mês atrás: uma bandeja de carne deixada fora da geladeira do supermercado e a Sra. Caixa dizendo para o Rapaz-auxiliar: – Tem que colocar isso de volta na geladeira. Faz tempo que o homem que desistiu de levar deixou aqui.

Fui pesquisar na enciclo(wiki)pédia e no dicionário pai-dos-novos-burros, Google. Fiz um “curso” de várias horas de pesquisas digitais para aprender um pouco sobre carnes. Enquanto isso, Marido ia ao açougue comprar mais duas peças de contrafilé (o desejo era mesmo imenso). A carne veio muito mais fresca e perfumada (exagerada!), apesar de um pouco fina. Carne em supermercado nunca mais! Além disso, já que comemos carne, devemos pelo menos, por humildade, economia e sabedoria, saber o que estamos cozinhando ou comendo, para com respeito ao boizinho e a nós mesmos. Lembrei dos ensinamentos do meu pai e também dos vídeos do Marcos Bassi, que eu já havia assistido várias vezes, afim de não subestimar jamais uma peça de carne.

O contra-filé do boi possui vários cortes (e subcortes) possíveis, cujos sabores são diferentes entre si. Na parte mais da frente e de cima, fica a capa de filé  (sobre as bistecas), que é muito bom para cozidos. As bistecas/costelas, que ficam também mais na frente (parte mais grossa) é uma parte muito macia e não deixa de ser do contra-filé também. Logo após, temos a parte imediatamente ao lado, mas sem osso, que é onde fica o famoso Olho de bife (ojo de bife) argentino! Na outra parte, mais fina e mais pra dentro, em cima do filé, temos a parte sem osso (que é o que aqui chamam de contra-filé realmente), do qual podemos retirar o entrecote (ou entrecôte), sem gordura nenhuma, muito famoso na França, e o bife de chorizo (aquele que vem com uma camadinha honesta de gordura, também querido dos argentinos e uruguaios). Há outros cortes e subcortes que podem ser “retirados” do contrafilé, mas outro dia preparo um post mais didático sobre carnes e os incluo, ok?

Essa receita inventei quando provei um risoto de limão em um restaurante australiano daqui de Fortaleza. Pensei se não ficaria bom cozinhar o arroz comum com limão. A carne e o molho foram intuição pura, depois de provar nos restaurantes e pesquisar/estudar em outras receitas. É certo que a carne poderia ser um pouco mais alta, apesar de que eu não como muita carne, então ficou na medida certa, mas deu para matar a saudade. Além disso, pode-se deixar por menos tempo de cada lado da frigideira se você quiser ela ao ponto, mas fininha.

Contra-filé ao molho gorgonzola com Arroz de limão (para 2 pessoas)

Ingredientes:

Para a carne:
500g de contra-filé bovino (bife de chorizo)
Meia cebola pequena picada
1/2 colher de sopa de farinha de trigo ou amido de milho
50ml de vinho branco
100g de Gorgonzola picado
50ml de água
Azeite de oliva
Sal e pimentas a gosto

Para o Arroz:
Meia cebola pequena picada
3/4 de xícara de arroz
10g de caldo de legumes (1 tablete)
Suco e raspas de 1/2 limão (usei o siciliano)
500ml de água
Cebolinha picada para decorar

Modo de preparo:

Para a carne:
Em uma frigideira com azeite, frite cada lado da carne por 4 ou 5 minutos (só vire uma vez), dependendo da espessura e do seu gosto. Reserve as carnes. Com o óleo restante na frigideira, refogue a cebola e adicione em seguida a farinha e o vinho branco, deixando-o reduzir pela metade. Adicione a água e o gorgonzola e espere derreter. Retorne a carne para a frigideira, aquecendo-a novamente com o molho.

Para o arroz:
Ferva a água e adicione o caldo de legumes. Refogue a cebola no azeite em uma panela média. Adicione o arroz e refogue-o um pouco. Vá acrescentando a água aos poucos e quando estiver quase pronto acrescente o suco e as raspas de limão. Mexa um pouco até que o arroz esteja cozido (eu gosto um pouco al dente). Encha uma cumbuquinha qualquer com o arroz e vire-o no prato.  Decore com cebolinha picada por cima.

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6 respostas para Contra-filé ao molho gorgonzola com arroz de limão ou Matando a fome e a saudade.

  1. nerice pinheiro disse:

    este é o almoço de domingo?

    pois aqui em casa é galeto com dindin de farofa.

  2. Carolina Maia disse:

    Ai que delícia, meu deus! Essa vou testar por esses dias!

  3. Marilia disse:

    Ju,

    hj na hora do almoço fiquei muito decepcionada comigo….e agora, vendo essa sua foto com um prato digno de chef, reforço a conclusão de que eu definitivamente n nasci para cozinhar. Por favor, me diga q um dia vc tbm foi um desastre, pra eu ter um pouco mais de esperança e n desistir! huahuahua

    peguei uma receita no Hortifruti (um mercado bem arrumado, q faz degustações de vez enquando….e é aqui do lado) de um Risoto de aspargos frescos. Lembro de ter provado já ha um tempo essa receita por lá e se eu guardei a receita, é pq era boa. Segui tudo direitinho, juro por Deus….mas a desgraça ficou bem “unidos venceremos” e cheguei a ouvir do marido o seguinte: “isso vai pesar muito na barriga….”. Até lavar a louça eu lavei tbm (tarefa dele), pois fiquei com um peso na consciência, com a sensação de que já q n cozinho direito pro meu marido, pelo menos vou livrá-lo do mal de lavar uma panela com coisas grudadas…..Não q tenha ficado com um gosto ruim, mas ficou pesadissimo, nada molhadinho e cremoso, como a receita dizia….

    Se eu estivesse com tempo, ia criar um blog de culinária as avessas. Ia postar receitas q quero testar ou que já testei e logo em seguida, dependendo da situação, iria lançar uma das duas questões:
    1 – No que eu posso errar??? OU
    2 – O que foi que eu fiz de errado, pelo amor de Deus???

    hehehehehe….tenho certeza q vc seria a salvadora da pátria!

    bjos,
    Marilia

    • jucampelo disse:

      Bem, Marília, antes de casar eu não tinha muita oportunidade (nem vontade) de testar se eu sabia cozinhar ou não. Eu não sei se tinha talento ou não, só sei que, por conta disso, não tinha nenhuma experiência. Apesar disso, sempre observei (e perguntei) muito meu pai cozinhando, comprando carnes etc.
      Quando casei, vi que seria “o jeito” ter que gostar de cozinhar, ou iria fazer isso a força (o Marcio não cozinha). Então decidi pesquisar um pouco sobre o assunto e acabei gostando bastante.
      Errei muito em várias coisas antes de acertar, mas outras saiam na hora, de um modo meio intuitivo.
      Por isso não desanime, pois é assim mesmo que a gente aprende: fazendo. Mas, como você falou, o ideal seria descobrir o que deu errado em suas receitas.
      Veja se você seguiu mesmo as anotações pois alguns risotos são um pouco pesados e molhados mesmo; qual o arroz que vc usou? Na receita dizia a temperatura do fogo ao preparar?
      Uma coisa que eu faço sempre antes de fazer qualquer prato é pesquisar (nem que seja rapidinho, na internet mesmo) algumas receitas semelhantes, não precisa ser a mesma receita, para pegar dicas diferentes de pessoas diferentes. Assim, com o arsenal “técnico” básico, fica mais fácil de improvisar e utilizar o que se tem em casa, ou saber onde foi que eu errei.
      Acho que é um pouco como arquitetura: se fazemos uma escola de música, por exemplo, encontramos as referências funcionais em outras escolas de música, mas as referências arquitetônicas/formais/estéticas podem ser retiradas de qualquer tipo de prédio (inclusive de escolas de artes, dança etc.).
      Outra coisa que me ajudou (e ainda ajuda bastante) são os vídeos (dvds do Jamie Oliver ou no YouTube mesmo) de culinária, de qualquer receita, só pra ver como se faz os preparativos básicos,o que mais se usa, o que combina com o que etc.
      E a última coisa, mas não menos importante é: faça receitas simples. Melhor uma receita simples bem feita do que uma super ultra sofisticada que não deu certo. Assim como na arquitetura, as vezes as soluções simples são as que tiram mais suspiros das pessoas.
      Se quiser me mandar um email com as dúvidas a respeito dessa ou de outras receitas, eu posso tentar ajudar no que eu souber e puder (pois também estou começando agora🙂 ).

      Beijos e boa sorte.😉

      • Marilia disse:

        Ju, obrigada pelas dicas e pela paciência em acalmar uma principiantes atrapalhada hahahaha. Gostei das comparações com a arquitetura…tudo a ver!🙂
        Bem, eu tinha escolhido essa receita justamente pq ela era muito simples, tinha poucos ingredientes e não envolvia um tal de caldo com o qual vc rega o arroz de tempos em tempos (essa tecnica ja vi em todas as receitas de risoto, menos nessa q eu testei).
        Usei um arroz comum (lá dizia q podia usar qualquer um…mas sei q o arbóreo é o ideal) pra n ficar muito chateada se estragasse tudo ehehehe. Cozinhei os aspargos separadamente. Depois fiz um refogado com azeite e cebola….depois coloquei o arroz nesse refogado e fui acrescentando um tal de “requeijão de corte” que comprei. Tudo cortadinho em tiras, do jeito q a receita mandava. Sendo que logo de cara, fiquei desconfiada q o negocio n fosse prestar, pq o requeijão tinha consistência de queijo!! É óbvio que quando ele fosse derreter, ele ia derreter como um queijo: mais pra duro q pra mole, como todo queijo derretido. Ai tu já viu tudo né: ficou um unidos venceremos de primeira! Na intuição, ainda acrescentei um pouco de agua e até q deu uma amolecida, mas não fez milagre e já na mesa o negócio tava que nem reboco (já q é pra comparar com arquitetura, vamos lá…ahahaha). Conclusão: risoto, só com caldo! Já peguei algumas receitas e um dia testarei. Enquanto isso, vou fazer como vc disse: colher as dicas técnicas por ai. Falar nisso, já viu esse blog: http://naminhapanela.com/ ? Parece ter potencial….bjao e obrigada!!!

  4. jucampelo disse:

    Oie!
    Realmente, eu nunca tinha visto uma receita assim, pois geralmente o segredo do risoto é justamente (além do arroz) o cozimento lento em água com caldo (de legumes, arroz, carne etc.). Talvez se você derreter o requeijão de corte na água que será despejada no arroz funcione melhor, mas acho que não precisa mais do que um parmesão ralado por cima depois de o risoto simples de aspargos pronto. Essa semana “achei” um blog bem legal e vi agora que tem uma receita bacana (e clássica) e risoto de aspargos: http://www.cucchiaiopieno.com/2009/06/risoto-de-aspargo.html
    acho que não vai ter erro!🙂
    Também sou principiante menina, e nada melhor do que trocar idéias e experiências com alguém na mesma situação, né?🙂 Estou doida para fazer algo com aspargos e acho que qualquer dia vou me aventurar a fazer esse daí que coloquei o link. Não desista!

    Bjão
    Ju

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