Risoto de limão, tomate e parmesão ou Uma breve crítica à sociedade dos distúrbios alimentares

Milhares de pessoas sofrem de distúrbios alimentares – que não tem relação direta com o alimento em si -, desencadeados por fatores psicológicos graves, dos quais nenhum nutricionista ficaria satisfeito em ouvir falar. Tais distúrbios podem ter em suas causas tanto a falta de comida (como a anorexia), quanto o excesso (seguido do arrependimento – no caso da bulimia). Geralmente um sucede o outro, trazendo malefícios imensos para a saúde.

Fala-se bastante em obesidade, males causados por determinados alimentos em excesso etc. e da última-melhor-pesquisa-da-semana-feita-na-universidade-de-muito-longe descobrindo se determinado alimento ou substância faz bem ou mal. Mas fala-se menos em desnutrição, mídias propagadoras de paranóias generalizadas de magreza e de distúrbios alimentares. Vemos a beleza das modelos nas passarelas – cujo índice de massa corporal está muitas vezes abaixo do recomendável para uma vida saudável – , mas não queremos saber que muitas delas, semanas antes do desfile, se submetem a dietas absurdas e chegam a perder vários quilos em apenas uma semana.

Quem está perdendo com isso? A sociedade, que deixa de viver o que a vida lhe promove, para viver em função de um desejo maléfico e inalcançável; algumas modelos, que tem seus corpos – e suas vidas – comprometidos e a comida, que tem seu sentido desvalorizado e desrespeitado de várias maneiras. Veja bem, não estou falando daquelas pessoas que já tem um biotipo (muito)magro, mas sim daquelas que pregam que esse é o único aceitável.

Humildade é poder comer saboreando o alimento de forma sincera e prestando o devido valor que ele merece, principalmente por saber que muitas pessoas não tem essa oportunidade. Felicidade é poder saber que a comida estimula e cria vínculos e que o momento da refeição (de qualquer uma) é sagrado, faz parte da expressão cultural de um país, de um povo, de uma família, de alguém. Respeitar seu corpo, o alimento e a vida consiste em ter a consciência desses três e saber que exageros, quaisquer que sejam eles, são prejudiciais (comer demais ou comer de menos, por exemplo).

Como filha única, sempre tive esse encantamento por famílias grandes e pela tradição de fartura, qualquer que fosse o motivo a ser celebrado. A comida esquenta a conversa, traz prazer e significado emocional e funcional a qualquer evento. Experimentar novos cheiros e novos sabores está na lista das coisas para se fazer dia após dia no decorrer da vida, se quisermos estimular os sentidos e, ao mesmo tempo, a criatividade. Tudo isso com muita moderação e sabedoria.

Tudo isso foi pra dizer:
1. Como é bonita a mulher que come sem frescura (isso não quer dizer comer muito).
2. Não me ofereça algo se não tiver a certeza de que você quer me dar. (isso é brincadeira, ok?).

Bem, falando em risotos (-Onde foi que tu falou isso? Ah, no título…), descobri que os adoro. Esse ai da foto eu fiz com o que tinha em casa. Era pra ser de limão, parmesão e tomates, só, mas aproveitei uns pimentões já picados aqui em casa e os coloquei também. Esse é daqueles que, em certos momentos, dá vontade de fechar os olhos enquanto se está comendo. Espero que gostem!

Risoto de limão, tomate e parmesão

Ingredientes (para duas pessoas):
1 xíc. (200g) de arroz arbóreo (ou arroz próprio para risotos)
1/2 cebola picada
1 tomate picado
1/2 pimentão picado (opcional)
50ml de vinho branco seco
1 tablete de caldo de legumes dissolvido em 600ml de água fervente
Raspas de 1 limão siciliano
Suco de 1/2 limão siciliano
1 colher de sopa bem cheia de manteiga gelada
1 xíc (120g) de parmesão ralado ou cortado em cubos pequenos (eu coloquei dos 2 jeitos)
Azeite
Sal e pimenta a gosto

Modo de preparo:
Em uma panela aquecida em fogo médio, coloque o azeite e refogue a cebola picada. Junte o arroz, as raspas do limão e o vinho e mexa bem até que o arroz fique transparente. Acrescente os tomates, o pimentão, o suco de limão e a água com o caldo de legumes aos poucos (uma xícara ou concha por vez) mexendo constantemente, e adicionando outra xícara de caldo somente quando a última tiver sido absorvida. Continue o processo até que o arroz esteja cozido, mas al dente (uns 25 minutos). Acrescente por último (quando faltar apenas uma xícara de caldo) o parmesão ralado e a colher de manteiga. Ajuste o sal e a pimenta. Misture e sirva em seguida.

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8 respostas para Risoto de limão, tomate e parmesão ou Uma breve crítica à sociedade dos distúrbios alimentares

  1. Marilia disse:

    Concordo demais com oq vc diz…..comer é um dos maiores prazeres que existe na vida….comer junto, então, n tem igual! Mas também se a gente se descuidar totalmente e curtir demais comer, comer e comer, é claro que esse prazer da vida diminui🙂

    Agora qnt a receita: AMEI! Amo risoto e claaaaaaro que vou tentar essa receita. Os ingredientes são fáceis e o modo de fazer parece tranquilo….depois te digo!

    bjosss,
    Marilia

    • jucampelo disse:

      🙂 É verdade. No texto mesmo digo que exageros são ruins. E são mesmo. Mas um jantarzinho assim de vez em quando todo mundo merece😛

      É bem fácil, sim, Marília! Tenta e me conta, viu?
      Bjos!

  2. Tiago disse:

    Hummmm! Adoro risoto. Esse aí com limão pareceu fantástico, Ju.

  3. Pedro disse:

    Bom daqui é que na pior das hipoteses a gente saboreia um texto.
    Muito legal como sempre!🙂

  4. May M. disse:

    O tópico “2” pra mim é seríssimo! hahaha
    Texto e receita maravilhosos.
    Conheci seu blog através do Almoço de Amigas e adorei.
    =)

    • jucampelo disse:

      Olá, May! Obrigada pela visita!
      Volte sempre. Já vi que temos muito em comum. rsrs🙂

      Beijão😉

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